Indefinição desmonta times e aumenta a crise

Divisão de Acesso, prevista para abril, ainda não tem data para começar e vê clubes enfrentarem dificuldades

Foto: RODRIGO ARAÚJO
Indefinição desmonta times e aumenta a crise
Pachequinho foi demitido pelo Maringá

GLOBO ESPORTE

A pandemia de Covid-19 provocou – ou aumentou – a crise financeira em vários clubes, da Série A à Série D, mas afetou principalmente os times menores. Com demissões, incertezas e dívidas, a segunda divisão do Campeonato Paranaense de 2020 é um exemplo disso. Prevista para abril, ela segue sem uma data marcada para o início.

O Mariná demitiu o técnico Pachequinho. O Independente São Joseense, outro clube sem técnico, conta com apenas três jogadores com contrato. O Rolândoia liberou todos os jogadores. E por aí vai. Tudo para reduzir as despesas em meio à pandemia.

Os clubes pequenos já sofrem corriqueiramente. Prova disso é que, ainda em janeiro, Arapongas e Foz do Iguaçu desistiram da Segunda Divisão - o Batel (de Guarapuava), até anunciou a desistência, mas voltou atrás depois. Com isso, Araucária e Azuris ganharam as vagas. 

TÉCNICOS DEMITIDOS, ELENCO ENXUITO

Um dos clubes mais tradicionais da segunda divisão do Paranaense, o Maringá anunciou a demissão do técnico Pachequinho e do diretor Augusto Moura. Segundo o clube, as saídas ocorrem justamente por causa da indefinição do início da Segunda Divisão do Paranaense.

O Tricolor chegou a manter os treinos online após a paralisação, mas, sem uma data, suspendeu ainda em abril os contratos de todos os profissionais do clube por 60 dias. O prazo venceu no início de junho. O clube aguarda para definir a situação do elenco.

O Independente Sãojoseense também precisou demitir a comissão técnica. O clube explicou que "algumas mudanças serão necessárias para que siga seu caminho com austeridade e confiando em dias melhores". O presidente do São Joseense, Kleiton Bacetto, explicou a situação.

" A gente estava no período de finalizar contratos tanto com atletas quanto com patrocinadores. Tudo isso ficou em stand by. A gente tem contrato com pouquíssimos atletas, só dois ou três, que tinham contrato mais longos desde o ano passado. Mas isso foi até confortante em relação a custo. A gente não tem mais comissão técnica. Infelizmente, tivemos que rescindir" falou Kleiton Bacetto, do São Joseense.

O Apucarana Sports vive caminho parecido e tem apenas cinco jogadores com vínculo - a comissão técnica foi mantida. O Rolândia liberou todos os jogadores que estava trabalhando para a Divisão de Acesso além de alguns funcionários.

O diretor financeiro do clube, Hebert Issao, contabiliza prejuízos e acredita que o retorno ainda em 2020 não será vantajoso para as equipes. "Para nós não compensaria voltar nesse ano. Todo mundo ficou numa dificuldade muito grande. Nós estávamos com bons patrocinadores, mas eles pediram para segurar o patrocínio", disse Issao.

NACIONAL RESPIRA COM A SÉRIE D

Além da indefinição da Divisão de Acesso, o Nacional aguarda também o início da Série D do Campeonato Brasileiro. O time de Rolândia conquistou a vaga nacional ao ser campeão da Taça FPF em 2019.

O lugar na Série D garantiu ao Nacional-PR uma ajuda de R$ 120 mil da CBF, o que deu a possibilidade da direção manter a maior parte do elenco e também a comissão técnica. Ainda assim, alguns atletas tiveram o salário reduzido.

RECÉM PROMOVIDOS

Recém-promovidos, o Araucária e o Azuriz têm um investimento maior e, até por isso, não sentiram tanto a paralisação. O Araucária fechou no início do ano uma parceria com o empresário Sérgio Malucelli, gestor do Londrina. Com isso, a comissão técnica e alguns jogadores foram cedidos pelo próprio Tubarão, e a preparação do time ocorreu no CT do SM Sports antes da paralisação.

"Conseguimos readequar as despesas. E ainda não tínhamos assinado os contratos profissionais, então não teve um impacto tão grande. Lógico que atrapalhou, provavelmente perdemos alguns jogadores que estavam no planejamento, mas acho que vamos conseguir equilibrar bem. A gente está com a comissão e o elenco bem desenhados", explicou Pedro Weber, do Azuriz.

Andraus, campeão da Terceirona em 2019, também subiu para a Divisão de Acesso em 2020. O clube não divulgou detalhes dos efeitos da paralisação do futebol paranaense.

Azuriz perde alguns jogadores, mas já tem o elenco desenhado — Foto: Azuriz

FOTO - Time do Azuriz